Mostrando postagens com marcador China. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador China. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Camex aplica antidumping contra porcelanato da China

A Câmara de Comércio Exterior (Camex) aplicou direito antidumping provisório, por até seis meses, às importações brasileiras de porcelanato técnico vindas da China, classificadas no item 6907.90.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). A decisão consta de resolução publicada no Diário Oficial da União.

As empresas chinesas punidas deverão cumprir a determinação mediante o recolhimento de valores calculados na forma de alíquotas fixadas em dólares por metro quadrado. Os índices variam de US$ 3,01/metro quadrado a US$ 5,73/metro quadrado.
A medida não se aplica aos ladrilhos, cubos, pastilhas e artigos semelhantes, mesmo de forma diferente da quadrada ou retangular, cuja maior superfície possa ser inscrita num quadrado de lado inferior a 7 cm, comumente classificados no item 6907.10.00 da NCM, diz a resolução.


Fonte: http://cmaadvogados.blogspot.com.br/2014/07/camex-aplica-antidumping-contra.html

quinta-feira, 27 de março de 2014

Exportação impulsiona faturamento da indústria de máquinas.

Em fevereiro, a indústria de máquinas e equipamentos teve faturamento bruto de R$ 5,449 bilhões, aumento de 3,6% sobre o mês janeiro e queda de 4,9% em comparação a fevereiro do ano passado.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, o faturamento foi maior em função do crescimento das exportações.
As exportações aumentaram 34,7% em fevereiro na comparação ao mesmo mês de 2013, alcançando US$ 1,049 bilhão.
O resultado é 7,2% inferior a janeiro deste ano. Neste mesmo mês, as importações de máquinas e equipamentos somaram US$ 2,206 bilhões, mostrando queda tanto na comparação mês a mês (-26,4%) quanto na comparação com o ano anterior (-10,7%).
A China foi o país que mais exportou máquinas e equipamentos para o Brasil no mês de fevereiro.
O déficit comercial do setor somou US$ 1,158 bilhão, queda de 38% em comparação a janeiro e foi 40,9% menor em comparação a fevereiro de 2013.
Quanto ao pessoal ocupado, o setor apresentou queda de 0,1% na comparação mês a mês e 1,4% negativos na comparação com fevereiro do ano passado. Segundo a associação, o setor empregava 255.026 pessoas em fevereiro deste ano.

Fonte: http://exame.abril.com.br/economia/noticias/exportacao-impulsiona-faturamento-da-industria-de-maquinas

quinta-feira, 20 de março de 2014

Comércio exterior: Novos rumos.

Um levantamento dos últimos quinze anos mostra que o comércio exterior praticado pelo Brasil cresceu de maneira vertiginosa: segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), em 1996, o País exportou US$ 47,7 bilhões e, em 2010, US$ 201 bilhões. Mas nada disso, porém, foi resultado de esforço concentrado da diplomacia brasileira, marcada nos últimos oito anos por um viés ideológico que pouco contribuiu nesse sentido. Pelo contrário.
Não houve nesse tempo nenhum esforço para reduzir barreiras tarifárias ou criar com algum bloco ou grande país um ambiente que pudesse ampliar a penetração dos produtos nacionais. Em outras palavras: não foi assinado nenhum acordo de livre comércio que envolvesse um grande mercado. O Mercosul, com duas décadas de existência, continua à espera de avanços que nunca se concretizam, depois de muitas rodadas de negociações inócuas. Portanto, a ampliação das exportações deu-se muito mais em função do aumento da procura internacional, especialmente de países asiáticos e, muito particularmente, da China.
O problema é que a China só tem interesse, praticamente, em commodities. Em razão disso, a proporção da exportação de produtos de alta, média e baixa intensidade tecnológica vem caindo, o que significa que o País está perdendo espaço no mercado de produtos baseados no conhecimento e na tecnologia. Não adianta o governo brandir a previsão segundo a qual o saldo comercial (diferença entre exportações e importações) de 2011 deverá atingir US$ 30 bilhões, quando se sabe que essa perspectiva só existe em função da manutenção de preços altos dos produtos agrícolas.
Ao contrário da China, que a partir da década de 1980 definiu uma estratégia de inserção global que, hoje, dá os frutos esperados, o Brasil, ao longo dos últimos governos, nunca mostrou uma política de expansão comercial. Geralmente, a política comercial andou atrelada à política externa, quando o pragmatismo indicaria que deveria ser o contrário. Isso significou uma redução na corrente de comércio com os Estados Unidos, a maior economia do planeta e também o grande concorrente do agronegócio brasileiro. O pior é que o governo norte-americano vem negociando acordos com países latino-americanos, com a Coreia e a Austrália, que podem reduzir o espaço do agronegócio brasileiro no mundo.
A falta de uma estratégia de inserção global se constata também na ausência de um plano de reestruturação da precária infraestrutura portuária e de transporte do País, cuja implementação é tarefa para décadas.  E não só.  Falta coragem também para enfrentar problemas difíceis, como a votação pelo Congresso de uma reforça tributária séria e colocar um fim na chamada “guerra fiscal”, que não favorece a produção interna. Enquanto isso, a venda de produtos manufaturados para o exterior perde participação no total exportado, pois era de 41,1% no acumulado dos primeiros cinco meses de 2010 e agora é de 36,4%.
Portanto, está na hora de o País reagir, atacando em várias frentes, desde um avanço diplomático em busca de novos mercados até a redução do chamado custo Brasil, que inclui a construção de uma infraestrutura mais eficiente e menos cara, uma carga tributária menos extorsiva e preços de energia menos exorbitantes, entre outros temas.

Fonte: http://www.comexblog.com.br/exportacao/comercio-exterior-novos-rumos

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O que a China fez e nós, não

A presidente Dilma Rousseff encerra sua viagem à China com resultados práticos, investimento em tecnologia, por exemplo, e promessas a confirmar. Sem dúvida, um ponto alto no qual ela insistiu e obteve muito, foi convencer empresas chinesas, como a ZTE, a investir mais US$ 200 milhões em telecomunicação no Brasil.

Outras virão, por que, disse ela, "temos uma combinação de crescimento acelerado, projeto estratégico de desenvolvimento, ciência, tecnologia, inovação e inclusão social."

Ela obteve o que podia, bem mais que Lula conseguiu na viagem de 2009. A China cresceu muito e passou a depender de matérias-primas e alimentos do Brasil.

Os chineses dão prioridade ao comércio com países que podem abastecê-lo com petróleo, alimento e minérios, mas não fazem concessões com produtos industrializados.

Nessa área, o que o Brasil obteve é uma promessa vaga.

"A parte chinesa manifestou disposição de incentivar suas empresas a ampliar a importação de produtos de maior valor agregado", diz o comunicado final.

Para atenuar as pressões, o governo enviará, em abril, ao Brasil, missão chefiada pelo ministro do Comércio para buscar oportunidades de compra.

Não vai dar. Eles podem até vir, mas se objetivo é esse, se limitarão a passear e voltar com mãos vazias porque produzem tudo a preços bem menores e não há muito a lhes oferecer que não tenham de melhor qualidade e a preços menores.

Estudos mostram um fato inusitado: mesmo que câmbio, juros e custos salariais fossem nivelados entre os dois países, ainda assim a indústria chinesa seria mais competitiva. Ela investiu em tecnologia, em inovação, importaram, copiaram e melhoraram. Os chineses mandaram milhares de estudantes para as universidades americanas e trouxeram professores de lá para ensinar na China!

São diferentes? Não. O governo agiu assim porque compreendeu que não havia mercado interno para sua produção. Cerca de 800 milhões viviam abaixo da linha da pobreza há alguns anos. Para crescer, precisava exportar e para exportar precisa ter qualidade e preço. Foi a ausência do mercado interno e a existência de padrões de vida miseráveis, que ainda predominam, que levaram a China a ser o que é hoje no mercado mundial. Um trabalho intensivo, persistente e bem orientado.

E nós? No Brasil, foi o oposto. Tinha um mercado interno em expansão graças à politica social dos últimos oito anos, que não existe na China. Nossos operários ganham mais, consomem mais e vivem melhor que os chineses.

A indústria nacional acomodou-se para atender a um mercado interno vigoroso, mas pouco exigente de produtos de qualidade internacional. Não investiu mais intensamente em produtividade, em inovação para competir no mercado internacional. Afinal, até pouco tempo, sem a competição externa provocada pelo real valorizado, estava tudo muito bem. Só agora reclamam. Mas nem todas, pois muitas empresas importam da China a preço baixo, montam e vendem aqui.

Entre janeiro e março a balança comercial do setor de média e alta tecnologia apresentou o pior déficit em 22 anos, US$ 17,7 bilhões, o dobro do registrado no mesmo trimestre de 2008 e 2009, informa o colega João Valverde, do Valor.

Tecnologia! É isso o que Dilma foi buscar na China. Conseguiu muito, não aquela baboseira da Foxconn. O Brasil tem urgência de criar centros de tecnologia. Dilma visitou a ZTE. Outras virão porque o Brasil tem a atração do mercado interno. Ao contrario da China, ele é a base de conquista do mercado internacional.

Seria só isso? É sim. Se quiserem, perguntem ao Obama, que assustado com a ascensão da China, disse que a nova meta do governo é investir e estimular maciços investimentos, com ofertas especiais de incentivos de toda ordem. E, olhem, eles não exportam apenas US$ 200 bilhões como nós, não. Exportam mais de US$ 2 trilhões. Tudo isso, mas estão com medo da China...E nós, não?

17/04/2011
Alberto Tamer - Alberto Tamer
FONTE: O Estado de S. Paulo

quarta-feira, 6 de abril de 2011

CHINA AVANÇA EM NOVOS SETORES E DESTRÓI EMPREGOS

SETORES DE PRODUÇÃO PADRONIZADA DEMITEM E IMPORTAM DA CHINA

Empresas brasileiras que fabricam produtos manufaturados mais simples e padronizados enfrentam grandes dificuldades com a concorrência chinesa. Nos setores de válvulas industriais, elevadores e ferramentas, quem produz bens de baixo valor agregado tem sido duramente atingido pela competição asiática. Para reagir, muitos passaram a importar o que antes fabricavam ou compravam de outras empresas no país, um movimento que provoca demissões. O dólar barato (fechou ontem a R$ 1,609), a carga tributária, os juros altos e o custo da mão de obra atrapalham a vida desses setores, dizem empresários.

Dos 72 associados da câmara setorial de válvulas industriais da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), 80% já importam 100% do que vendem. Em 2005, essa fatia era de 40% a 50%, diz Pedro Lucio, presidente da câmara. Segundo ele, são empresas que atuam no segmento de "válvulas-commodities" - uma referência a produtos padronizados. O produto chinês, nesse caso, é 60% mais barato que o brasileiro. Com 13 mil trabalhadores em 2008, o setor emprega hoje cerca de 7 mil pessoas, estima Lucio.



A feroz concorrência chinesa no mercado brasileiro causa grandes estragos a empresas que produzem bens manufaturados com características de "commodities". Em segmentos como válvulas industriais, elevadores e ferramentas, os produtos mais simples e padronizados têm sido duramente atingidos pela competição asiática. Para sobreviver, muitas companhias passam a importar o que antes produziam ou compravam de outras empresas no país, reduzindo o número de empregados. O câmbio valorizado, o peso dos impostos e o alto custo do capital e da mão de obra complicam a vida desses setores, dizem empresários.

Presidente da câmara setorial de válvulas industriais da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Pedro Lucio diz que, dos 72 associados, 80% já importam 100% do que vendem. Em 2005, esse percentual era de 40% a 50%. Segundo ele, são empresas que atuam no segmento de "válvulas-commodities", uma referência a produtos padronizados e com baixo valor agregado. Nesse segmento, o produto chinês é 60% mais barato que o brasileiro. "Com essa diferença de preços, as empresas brasileiras não conseguem concorrer." O setor, que tinha cerca de 13 mil empregos em 2008, emprega hoje cerca de 7 mil pessoas, segundo suas estimativas.

Lucio diz que ainda é viável produzir aqui válvulas com maior diferenciação. É o caso dos produtos fabricados por sua empresa, a RTS, que faz as chamadas válvulas borboleta. No entanto, para manter a competitividade, Lucio importa, desde o ano passado, um componente da China, o que lhe permitiu reduzir o preço final do produto de 20% a 30%. A parte de sua produção vendida para a Petrobras, porém, não leva essa peça, para garantir o índice de nacionalização exigido, de 90%.

O empresário relata que, mesmo com a redução de preços obtida com o componente chinês, conseguiu apenas manter o faturamento de 2010 no nível do de 2009, que ficou 40% abaixo do de 2008, por conta dos efeitos da crise. Lucio diz que demitiu 70 de seus 180 funcionários em 2009, mantendo desde então um quadro de 110 empregados. O empresário se queixa do custo dos insumos - "o quilo do aço inoxidável, que no Brasil sai por R$ 34, custa US$ 3 [pouco menos que R$ 5] na China" - e também do aumento dos custos salariais - em 2010, o reajuste dos trabalhadores da categoria foi de 9,52%. Com o câmbio valorizado e a carga tributária, fica difícil competir com os produtos, especialmente os chineses, diz ele.

A situação também é bastante complicada para os fabricantes de elevadores, diz Jomar Cardoso, presidente do Sindicato das Empresas de Elevadores de São Paulo (Seciesp). Segundo ele, 50% do que é vendido por aqui vem do exterior. "Em 2005, esse percentual ficava em 20% a 30%", afirma, observando que há muitos componentes importados. "Em cinco anos, não haverá mais indústria brasileira de elevadores", diz Cardoso, presidente da Elevadores Villarta.

Como no caso das válvulas industriais, Cardoso diz que os produtos chineses são extremamente competitivos no caso dos elevadores padronizados. Segundo ele, saem pela metade do preço de um fabricado por aqui, contando ainda com uma melhora expressiva de qualidade nos últimos anos.

A competitividade do produto brasileiro é maior em elevadores especiais. A Villarta faz hoje um de 10 toneladas para a Anglo American. A empresa, porém, também compra produtos mais padronizados da China, o equivalente hoje a 30% de suas vendas. "Em 2005, eu não importava quase nada. Em 2009, esse percentual já era de 20%. No fim deste ano, pode chegar a 50%." Cardoso diz que a sua empresa conseguiu aumentar o faturamento em cerca de 20% em 2010, esperando crescer mais 15% neste ano, pelo menos. Hoje, a Villarta tem 55 funcionários, 30 a mais do que tinha em 2005. "Mas eu poderia ter o dobro se fabricasse tudo aqui", afirma ele, para quem a indústria local deixou de aproveitar as oportunidades geradas pelo boom do mercado imobiliário.

"Dos 25 mil empregos que o setor gerava há cerca de 13 anos, hoje restam pouco mais de 10 mil vagas", lamenta ele, apontando os pesados encargos trabalhistas e o câmbio valorizado no Brasil como dois dos grandes responsáveis pela falta de competitividade do produto brasileiro em relação ao chinês, que se beneficia também da enorme escala de produção.

Procuradas, as três maiores empresas do setor, as multinacionais Atlas Schindler, Otis e ThyssenKrupp, não se pronunciaram sobre importações. A Otis informou que "os dados não podem ser divulgados por questões estratégicas da empresa". A ThyssenKrupp foi na mesma linha, dizendo que não "divulga informações de cunho estratégico". A Atlas Schindler afirmou não fornecer dados sobre importações e exportações.

A concorrência chinesa também atinge as empresas filiadas ao Sindicato da Indústria de Artefatos de Ferro, Metais e Ferramentas em Geral no Estado de São Paulo (Sinafer), diz o presidente da entidade, Milton Rezende. Segundo ele, no caso de ferramentas simples, como martelo, chave de fenda e alicate, o custo do produto chinês pode ser de 50% a 70% mais baixo.

Também estão sofrendo muito as empresas que faziam a usinagem de peças para outros setores da indústria, como a automobilística e a de eletrodomésticos, afirma Rezende. As empresas desses segmentos, diz ele, passaram a importar boa parte dos componentes, diminuindo muito as encomendas no mercado interno.

Segundo Rezende, há casos de ferramentas de primeira linha fabricadas em países desenvolvidos, como EUA, Japão e Europa e 25% a 40% mais baratos que as produzidas no Brasil. Ele estima que 30% dos produtos vendidos hoje do setor são importados, dos quais dois terços devem vir da China. Há três anos, o percentual de bens vindos de fora não chegava a 10%, afirma Rezende, destacando o impacto negativo sobre o emprego. O segmento, que em 2008 empregava 282 mil trabalhadores no país todo, terminou 2010 com 265 mil. Também no setor a competitividade brasileira é maior em produtos um pouco mais diferenciados, como ferramentas de alta precisão.

Para Rezende e Cardoso, a situação de seus segmentos evidencia o processo de desindustrialização, com o avanço dos produtos estrangeiros, principalmente asiáticos, ganhando mais espaço e, com isso, reduzindo o nível de emprego.

05/04/2011
Autor(es): Sergio Lamucci | De São Paulo
Fonte: Valor Econômico

terça-feira, 5 de abril de 2011

Ainda falta ao Brasil estratégia para China

Enquanto o planejamento no Brasil sofre pela desmoralização dos projetos não cumpridos, prioridades distorcidas e descontinuidade administrativa, na China ele é fonte confiável de avaliação dos rumos do país, que acaba de concluir seu plano para o período que vai deste ano até 2015. É com base nesse plano quinquenal, divulgado na imprensa chinesa e votado na Assembleia Popular Nacional, que a China estabelece suas prioridades, alianças, acordos. No Brasil, o evidente interesse pela China, é guiado por planos vagos, ou desconectados.

Logo após eleita, quando se falava em certos gabinetes do Palácio do Planalto em uma "reaproximação" com os Estados Unidos, a presidente Dilma Rousseff fez saber a seus auxiliares que só imaginava uma viagem aos EUA acompanhada de outra para a China - uma maneira de sinalizar o interesse brasileiro em explorar igualmente as possibilidades dos dois polos de poder mundial, a potência hegemônica e a principal emergente. Dilma também indicou que os temas ciência e tecnologia estarão entre os principais eixos da conexão chinesa, ainda que não seja claro, ainda, o que isso significa.

Quem quiser saber o que o governo brasileiro quer da China terá de peregrinar por diversos gabinetes além do óbvio Itamaraty; do Ministério de Ciência e Tecnologia ao do Desenvolvimento, da Agência de Promoção de Exportações (Apex) à Agência Espacial Brasileira (AEB). Antes tema prioritário da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), nas gestões de Mangabeira Unger e Samuel Pinheiro Guimarães, a China é hoje assunto de encontros protocolares por lá.

Como apontou o então ministro de Relações Exteriores Celso Amorim, pouco antes de deixar o governo, faltou ao país uma estratégia para a China. Ainda falta. Existem ações fragmentadas por diversas áreas do governo, reunidas agora em uma agenda comum para a visita presidencial ao país.

A falta de uma estratégia voltada aos chineses não ocorre por falta de inteligência. Com apoio da embaixada brasileira em Pequim e dos consulados do país na China, tanto o Departamento de Promoção Comercial quanto a Apex desenvolveram programas para explorar nichos de maior valor agregado no crescente mercado chinês; no campo científico, especialmente no programa espacial, há contato permanente, ainda que dificuldades orçamentárias e tecnológicas tenham criado tropeços na cooperação bilateral. Uma estratégia para a China, porém, é mais que cooperação entre universidades e a busca de nichos de mercado nos quais o país possa aproveitar vantagens competitivas existentes.

No campo acadêmico, além da ebulição de estudos e seminários sobre China em centros privados, o país começa a ter diplomatas com conhecimento mais profundo sobre o gigante asiático, como Oswaldo Biato Júnior, autor de um livro essencial, A Parceria Estratégia Sino-Brasileira, Origens, Evolução e Perspectivas (1993-2006)", da Fundação Alexandre Gusmão, por resumir magistralmente em 437 páginas (nada é pequeno quando relativo à China) a história recente das relações bilaterais.

No livro, o ex-embaixador chinês no Brasil, Gao Kexiang critica os empresários brasileiros porque, diferentemente dos empreendedores de outros países, relutam em "sair debaixo da saia do governo", após receberem um empurrão governamental para entrar no mercado chinês.

A falta de empenho do setor privado é real, embora também haja casos como o da Marcopolo, fabricante de carrocerias, que há anos se debate com a burocracia chinesa para instalar uma fábrica no país (e que, comenta-se no governo, descobriu estupefata uma de suas amostras de produto desmontada, sob análise de vários técnicos chineses, durante visita surpresa ao galpão onde estavam armazenadas as carrocerias enviadas como modelo).

A China, em seu plano plurianual, sabe o que quer do Brasil: matérias primas para se desenvolver. E tem criado iniciativas de comércio, investimento em infraestrutura e até apoio financeiro, como o empréstimo concedido à Petrobras. O Brasil quer efetuar vendas de maior valor agregado à China. Mas, descontados heroicos esforços de promoção comercial, não tem um plano abrangente para chegar lá.

O economista Antônio Barros de Castro, hoje consultor do Conselho Empresarial Brasil-China, vem advertindo para a necessidade de planejar a relação do Brasil com os chineses levando em conta as enormes mudanças no cenário econômico mundial provocadas pela emergência da Ásia como grande centro integrado de produção manufatureira, centro de migração rural para os centros urbanos e crescente consumidor de matérias-primas. Nesse cenário, o Brasil, como grande produtor de commodities (ferro, soja, petróleo) tende a se dividir (e já vem se dividindo) em duas metades, uma beneficiária da emergência chinesa - asiática, na verdade - e outra ameaçada pela mudança de preços, pela inevitável valorização do câmbio e pela extraordinária eficiência da competição oriental.

Nesse cenário, previne Castro, o Brasil deveria aproveitar sua receita de commodities para financiar uma transição industrial, voltada a produtos e processos dinâmicos, de alta tecnologia, capazes de se integrar competitivamente às cadeias produtivas asiáticas. "O Brasil tem de levar propostas para os próximos dez, quinze anos", defende o economista. "Quanto mais profundo for o estudo e maior o prazo para essas propostas, maior a receptividade dos chineses", diz, baseado no que acompanhou, na China, do processo de aprovação do último plano quinquenal chinês.

Não consta, infelizmente, que Dilma Rousseff esteja levando algo tão elaborado na bagagem para Pequim.

Sergio Leo é repórter especial e escreve às segundas-feiras

04/04/2011
Fonte: Valor Econômico

terça-feira, 29 de março de 2011

‘Empresários brasileiros precisam estudar melhor o mercado chinês’

BRASÍLIA – Os empresários brasileiros precisam “fazer um esforço” e “estudar com mais atenção o mercado chinês” para ampliar o comércio com a China. A advertência foi feita pelo embaixador da China no Brasil, Qiu Xiaoqi, em entrevista na tarde desta segunda-feira, 28.

Ao tratar da visita da presidente Dilma Rousseff a seu país, em meados de abril, o embaixador afirmou que os dois países já têm um nível de comércio muito alto e não se pode pensar em um planejamento para um ou dois anos. “Temos que pensar nas próximas décadas”, disse.

Qiu Xiaoqi afirmou que entende a preocupação do Brasil com o fato da China comprar basicamente commodities brasileiras e exportar produtos manufaturados. “Estamos fazendo um esforço para um comércio mais equilibrado em todos os sentidos, inclusive na estrutura do comércio”, disse. “Mas é importante que os empresários brasileiros estudem com mais atenção o mercado chinês. É um mercado aberto. É importante que as associações de empresários façam estudos mais profundos para que, com isso, possam fazer um trabalho mais eficiente”.

O embaixador revelou, ainda, que os empresários chineses pretendem sair do Fórum com a presidente, marcado para a visita a Pequim, com mais possibilidades de investimento no Brasil. “Um aspecto importante é a diversificação dos interesses chineses no Brasil”, afirmou.

Perguntado sobre o câmbio supervalorizado da moeda chinesa e se seria um tema do encontro com a presidente, Qiu Xiaoqi afirmou que “esse não é um tema de reunião bilateral e não será importante”. De acordo com o embaixador, a China desvalorizou em 30% sua moeda nos últimos 15 anos e “vai persistir nessa atitude responsável”. “Não vamos fazer nada sobre pressão. Não é saudável para a economia mundial”, disse

28/03/2011
Fonte: O Estado de São Paulo

sexta-feira, 11 de março de 2011

China troca bugigangas por máquinas e preocupa o governo brasileiro

País é hoje 2º maior fornecedor de equipamentos para a indústria do Brasil

BRASÍLIA. A ameaça que vem da China já não se resume a produtos de baixa qualidade ou valor agregado. Os chineses já são o segundo maior fornecedor de bens de capital do país, com máquinas cada vez mais sofisticadas, perdendo apenas para os americanos. Equipamentos com componentes de alta tecnologia produzidos na própria China ou no exterior vêm engordando a pauta de exportações dos chineses e acirrando a disputa com os equivalentes nacionais.

Se em 2004 a China fornecia 2,1% das máquinas e equipamentos importados pela indústria brasileira, o país fechou 2010 com uma fatia de 12,9%, desbancando os alemães, que caíram para o terceiro lugar. Em janeiro deste ano, os chineses já detinham 14,7% do mercado nacional. Os dados são da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

- A preocupação com a China das bugigangas acabou. O país começou com bens intensivos em trabalho, assim como o Japão no pós-guerra. Agora, eles estão queimando etapas. O setor de telecomunicações, por exemplo, teve mais patentes registradas do que a soma de todos os concorrentes pelo mundo - afirma o diretor de Economia e Estatística da Abimaq, Mario Bernardini.

Produtos de baixa qualidade têm agora novas origens

A diversificada pauta de exportações da China e o aumento da qualidade de seus produtos estão no topo da lista de preocupações do governo. Segundo o secretário Executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic), Alessandro Teixeira, o governo subestimou o potencial de crescimento da China e agora vai mudar seu enfoque. A Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP2) vai se adequar à nova configuração internacional da China.


- A China é um dos elementos centrais no PDP. É competitiva em qualquer setor, até naqueles que não produz - afirma o secretário.


A mudança do perfil das exportações chinesas já começa a ser sentida pelo setor produtivo brasileiro. Os itens de baixa de qualidade, que usam mão de obra intensiva, estão sendo transferidos para Vietnã, Sri Lanka, Índia, Indonésia e Malásia. Fontes do setor automotivo já identificam algumas substituições em autopeças e pneus antes oriundos da China.

- A China está se especializando. As exportações de produtos de baixa qualidade vão sendo terceirizadas para os países onde o custo da mão de obra é mais baixo - diz o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.

Bernardini, da Abimaq, afirma que a China vem investindo pesado em infraestrutura e tem uma estrutura tributária menos onerosa que a brasileira. Ele ainda acusa o câmbio valorizado e os juros elevados de prejudicarem a indústria nacional.

Saltam compras de Índia, Vietnã e Indonésia


As exportações da China para o Brasil fecharam 2010 com o recorde de US$25,59 bilhões, 60,85% a mais que no ano anterior. Também cresceu de maneira expressiva o volume de mercadorias vendidas ao Brasil por países considerados como substitutos dos chineses. As exportações da Índia passaram de US$2,19 bilhões em 2009 para US$4,24 bilhões no ano passado, um salto de 93,02%. As da Indonésia saíram de US$987 milhões para US$1,51 bilhão no mesmo período (alta de 53,74%), e as do Vietnã, de US$219 milhões para US$473 milhões (aumento de 115,46%).

Por isso, o governo deverá usar pela primeira vez uma lei que permite frear importações de países que sejam parte de triangulação. Está em preparação uma medida antidumping sobretaxando as importações de calçados provenientes de Vietnã, Malásia e Cingapura.

10/03/2011
Autor(es): Agência o globo: Vivian Oswald
Fonte: O Globo

quinta-feira, 3 de março de 2011

IMPORTADOS TERÃO REGRAS MAIS DURAS NA ALFÂNDEGA

Governo vai endurecer regras para entrada dos bens importados
Autor(es): Sergio Leo | De Brasília

O governo pretende endurecer as regras de controle de entrada de produtos importados no país, exigindo, para o desembaraço nas alfândegas, os mesmos certificados de segurança e especificações técnicas hoje exigidas das empresas brasileiras para colocar seus produtos no varejo, informou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, em entrevista ao Valor, pouco antes de viajar para a China. Com os chineses, ele quer discutir um acordo para tornar a Embraer fornecedora de jatos executivos ao país.

O ministro vê disparidade entre as regras sanitárias, de segurança, metrificação e embalagem para a produção doméstica e a importada. Uma das ideias é que o Inmetro exija certificados de qualidade para a concessão de licença de importação. "Em segurança, por exemplo, que é normatizada e fiscalizada pelo Inmetro, o controle é feito na ponta do consumo, depois de internalizada a mercadoria, na loja. Um brinquedo importado é testado depois de já estar na loja", afirma.


O Brasil vai usar as armas legais aprovadas pela Organização Mundial do Comércio para isso. "No caso de calçados, por exemplo, está aparecendo também a triangulação. Fizemos a sobretaxa ao calçado chinês e está aparecendo venda desses produtos via Malásia, Indonésia", aponta. "Vamos tomar medidas contra isso".


O governo pretende endurecer as regras de controle de entrada de produtos importados no país, exigindo, para o desembaraço nas alfândegas, os mesmos certificados de segurança e especificações técnicas hoje cobrados apenas nos produtos encontrados no varejo.

A informação foi dada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, em entrevista ao Valor, pouco antes de partir para uma viagem a China, onde terá, nesta semana reuniões com autoridades daquele país. Com os chineses, ele quer discutir um acordo para tornar a Embraer fornecedora de jatos executivos ao país, visto como um dos mercados em expansão para esse tipo de avião.

"Não temos de ter uma estratégia de enfrentamento, mas de convivência com a China", argumenta o ministro, que pretende propor aos chineses acordos para maior participação em obras de infraestrutura no Brasil, em troca de facilidades para venda de produtos de consumo brasileiros no mercado chinês. A compra de jatos executivos pela China, diz, "compensaria" a frustração, por falta de encomendas das empresas locais, do projeto da Embraer de manter uma fábrica de aviões comerciais no país.

Pimentel confirmou que o governo mantém o plano de reduzir gradativamente os tributos cobrados sobre as folhas de pagamento e deve baixar medidas, possivelmente em abril, para antecipar a devolução de impostos cobrados indevidamente dos exportadores. As medidas de proteção contra importados devem sair também em abril, com a nova a Política de Desenvolvimento Produtivo, que trará novidades em matéria de inovação e patentes. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Valor: Os chineses se incomodaram com suas declarações, e de outros membros de governo, defendendo medidas contra invasão de produtos da China. O que o governo pretende fazer contra a competição chinesa e o yuan subvalorizado?

Fernando Pimentel: Não vamos tomar medidas contra a China, especificamente. Estamos estudando o que pode ser feito para criar equidade, igualdade, na competição entre produtos brasileiros e importados, que hoje não há. O câmbio já desequilibra muito, mas é um dado que está fora da política comercial, da política industrial, uma variável como a política monetária.

Valor: O que o sr. chama de equidade?

Pimentel: Que as exigências para comercialização de produtos brasileiros cheguem a produtos importados. Hoje, não há as mesmas regras sanitárias, de segurança, de metrificação ou de embalagem.

Valor: A venda de produtos importados não está sujeita às mesmas regras cobradas do bem fabricado no país?

Pimentel Bem menos que os nacionais. Estamos examinando. A ideia é garantir que haja equilíbrio entre o produto brasileiro e o importado. À primeira vista, parece que não, que se cobra e se exige mais do fabricado no país.

Valor: Pode dar um exemplo?

Pimentel: Dá, mas não estou querendo falar muito para não gerar expectativa. Depois aplicamos uma medida e vão dizer que era premeditada, que é pretexto. Tem muita coisa a se fazer. Em segurança, por exemplo, que é normatizada e fiscalizada pelo Inmetro, o controle é feito na ponta do consumo, depois de internalizada a mercadoria, na loja. Um brinquedo, por exemplo, é testado depois de já estar na loja.

Valor: O Inmetro passará a exigir certificado de testes e qualidade?

Pimentel: Na hora do pedido de licença de importação, por que não? Estamos estudando. Mas não é nada contra a China, é uma medida a favor do Brasil, para proteção da indústria, para que tenha condições de competir em condições de igualdade. A China é um grande parceiro comercial nosso, temos de tratá-la com o maior respeito. Agora, o mundo é competitivo, temos de dar condições à nossa indústria de competir.

Valor: O sr. teve uma conversa com o embaixador chinês no Brasil. O que disse a ele?

Pimentel: Falei o que queremos, uma conversa mais geral, e ele, claro, concordou que o Brasil e a China são hoje grandes parceiros, a China é o maior parceiro comercial do Brasil. Dada a importância estratégica da China para nós, e de nós para eles, como grandes fornecedores de matérias-primas, insumos básicos para a economia chinesa, é tempo de começarmos a pensar em ultrapassar essa fase em que somos parceiros meramente comerciais. Nossa relação está limitada à compra e venda de mercadorias. Temos de começar a construir relações estratégicas, de mais longo prazo. Dentro disso, começaríamos a superar esses pequenos contenciosos, que sempre vão existir. O que nosso caminho aponta é que podemos construir um caminho de economias mais complementares, uma parceria mais estratégica.

"Não temos de ter uma estratégia de enfrentamento, mas de convivência com a China. Tenho falado isso. "

Valor: Como seria essa parceria?

Pimentel: A China vem usando essa complementaridade para exportar manufaturados ao Brasil e comprar commodities. A China não precisa exportar tudo que bem entende de produto manufaturado ao Brasil. Podemos estabelecer algumas linhas, alguns canais, negociar com eles.

Valor: Por exemplo...

Pimentel: Está cedo para dar exemplos, teremos tempo para construir isso, saber se a China se interessa por uma construção de longo prazo. A construção desses acordos pode ser vantajosa para a China. Penso que é o que os Estados Unidos também estão tentando com os chineses. Não temos de ter uma estratégia de enfrentamento, mas de convivência com a China, tenho falado isso com os industriais brasileiros, que se queixam muito. O comércio é livre, vamos conviver com os chineses. Se querem proibir importação da China, não vai ter. Agora, criar condições de competição igual, isso acho justo.

Valor: Como assim?

Pimentel: Se o empresário me mostra que, para vender seu produto, está submetido a dois testes do Inmetro, um do Ministério da Saúde, outro do Ministério da Ciência e Tecnologia, e o importado chega e entra sem ser testado, então está desequilibrado e vamos fazer alguma coisa.

Valor: O governo pensa em apertar a aplicação dessas medidas de normas técnicas para os produtos importados?

Pimentel: Para igualar com os brasileiros, é isso. Exigir a mesma qualidade.

Valor: Alguns empresários, como os fabricantes de óculos, se queixam de que produtos chineses alvo de medidas antidumping estão entrando no país de maneira fraudulenta, como peças para montagem e artifícios semelhantes.

Pimentel: Essa é uma questão séria, que a Secretaria de Comércio Exterior está estudando com muita atenção, porque é uma prática desleal. Não queremos também fazer nada fora da regra da Organização Mundial do Comércio. O que a regra pedir nós vamos fazer. No caso de calçados, está aparecendo também a triangulação. Fizemos a sobretaxa ao calçado chinês e está aparecendo venda desses produtos via Malásia, Indonésia. Vamos tomar medidas contra isso. Não é nada contra a China, mas essas ações podem atingir alguns maus chineses, o sujeito que não coopera com a relação sadia entre os dois países. Não creio que o governo chinês vá defender um exportador de origem chinesa que esteja burlando as regras do comércio internacional, assim como não defenderemos um falsário brasileiro preso no exterior.

Valor: O sr. já definiu alguma proposta que pretenda levar aos chineses como parte da agenda positiva dos dois países?

Pimentel: Temos de ouvi-los, ver como estão pensando essa relação também. Isso não foi feito até agora, propor algo mais estratégico, de longo prazo. Há desafios enormes na China, nós temos os nossos aqui. Eles têm de absorver quatro ou cinco Brasis inteiros no mercado de consumo e nós precisamos construir uma China de infraestrutura. Quem sabe uma coisa não complementa a outra?

Valor: As construtoras brasileiras não têm muito interesse em dividir o mercado com estrangeiros...

Pimentel: Em alguma coisa pode ser que os chineses tenham experiências para nos ajudar. Desde que sigam nossas regras.

Valor: Como evitar casos como o da Embraer, que negociou associação com os chineses e não foi bem-sucedida?

Pimentel: Vamos falar claramente com eles sobre Embraer, sim. Foi um compromisso assumido lá, que não obteve resultado. A Embraer fez um investimento grande, não dá resultado, a fábrica da companhia aparentemente vai fechar. Vamos dizer para eles, que, na visita da presidente Dilma, até como gesto de boa vontade, eles poderiam anunciar algo em relação à empresa. Há uma compra grande de jatos executivos, que só depende de uma autorização. A China parece ter feito a escolha de entrar no mercado de jatos médios, mas não deve entrar no mercado de jatos executivos, nós podemos ser grandes fornecedores deles. Uma coisa acaba compensando a outra. Está aí um belo exemplo do que chamo de projeto de longo prazo.

Valor: Pode explicar melhor?

Pimentel: Não mexer com eles na questão dos jatos de tamanho médio e eles se tornarem clientes nossos nos jatos executivos não pode ser uma boa saída? Temos de sair do varejinho, que sempre terá contencioso aqui ou ali, para a grande estratégia, no atacado. Vamos ver se é possível fazer isso. Ou se eles preferem continuar tratando a gente como cliente de balcão. Para um país do tamanho do Brasil, não é bom negócio, devemos ser o cliente que chega e o dono da loja chama para subir para a sala dele, para conversar lá em cima.

Valor: Quando o sr. pretende anunciar as decisões sobre medidas para exigir dos importados normas e regras aplicadas a produtos fabricados no país?

Pimentel: Acho que pode sair mais ou menos junto com a Política de Desenvolvimento Produtivo, em abril mesmo. Essa coisa tem de ser feita com muito apuro técnico para não levantarmos lebres que não se materializam. A defesa comercial é uma forma de garantir equidade. No caso da PDP, a competitividade tem tantas variáveis, como a busca de inovação. Tem um plano de fundo geral que é o anátema do custo Brasil, tem a ver com tributação, com burocratização, excesso de regras.

Valor: Com o câmbio...

Pimentel: Hoje em dia, com o câmbio. O governo tem tentado fazer sua parte, ainda que com restrições. Agora, por exemplo, o juro vai subir. Nada atrapalha mais o custo Brasil que subir a taxa Selic, mas vai subir, fazer o quê? A inflação está subindo, tem de ter remédio. O pano de fundo está aí, mas o personagem principal para dar competitividade é a inovação. Essa discussão tem de ser feita diretamente com o setor produtivo. A inovação sai de um encontro fecundo entre pesquisa de laboratório e desejo do mercado.

Valor: Os empresários se queixam de que as linhas de apoio à inovação não apoiam inovações fundamentais, como as melhorias de processo industrial, por exemplo.

Pimentel: Tem de ter. A discussão da segunda etapa da PDP tenta justamente chegar nisso. A primeira etapa foi mais genérica. Não quero avançar muito, porque há aí uma zona de sombra com outros ministérios, entidades empresariais. A grande novidade seria dar apoio àquela inovação aplicada, que gera resultado quase imediato, pode ser aí a grande novidade da segunda etapa da PDP. Mas estamos agora avaliando o potencial de financiamento do BNDES. Ainda não temos o volume definido.

Valor: E o que o governo pensa em fazer para desonerar, reduzir os impostos, do setor produtivo?

Pimentel: Não é segredo, a presidente quer, o líder do governo no Congresso, Romero Jucá, já começou a trabalhar com nossos articuladores no Parlamento... Ela continua trabalhando muito forte com a ideia de desonerar a folha de pagamentos. Gradativamente, não dá para chegar de uma vez só.

Valor: Mas pode ser possível reduzir em dez pontos percentuais os encargos sobre a folha?

Pimentel: Não vi o número fechado, a ideia é ter uma coisa significativa nesses quatro anos. Dez por cento significaria a metade do que hoje pesa sobre a folha. Não sei se vamos conseguir. Com a economia crescendo, e vai crescer em torno de 4,5%, é viável, não reduzir à metade, mas uma queda significativa. Não sabemos o total ainda. É uma área que envolve muitos interessados.

Valor: E o que está sendo planejado em redução de tributos sobre investimento?

Pimentel: Já tem um bocado. No ministério, o que podemos trabalhar, e estamos fazendo, é tornar efetiva a ideia de que não se tributa exportação. Hoje não é efetiva. Estamos buscando um mecanismo factível, está começando a ser discutido, há uma boa vontade grande da área econômica toda em examinar a questão, pelo menos reduzir o prazo para usar o crédito [no abatimento de impostos].

"Ela [a presidente Dilma] continua trabalhando muito forte com a ideia de desonerar a folha de pagamentos"

Valor: Reduzir em quanto?

Pimentel: Tem várias ideias, temos de estudar alternativas de usar o crédito em pagamentos ao Tesouro.

Valor: Quando sai o conjunto de medidas tributárias para aliviar a produção?

Pimentel: Não quero falar, porque essa discussão, diferentemente da PDP, tocada no âmbito dos ministérios, está diretamente coordenada pela presidente. Deu um intervalinho para discutir salário mínimo, agora vai voltar. Ela faz isso, chama os ministérios, cobra estudos. Ela quer que, em meados deste semestre, pode ser abril, se tenha um conjunto já pronto. Mas isso tem de ser visto à luz dos trâmites legislativos, não podemos dar prazo.

Valor: E o câmbio do real em relação ao dólar, não ameaça a sobrevivência das indústrias, como dizem os empresários?

Pimentel: Aí tem de perguntar ao [ministro da Fazenda] Guido Mantega.

Valor: O governo pensa em aplicar algum imposto de exportação sobre commodities, como há em outros países, mas que é algo considerado pelo mercado um retrocesso?

Pimentel: Não vi essa discussão no governo, ainda. O que não significa que não possa surgir. O mercado acha que qualquer imposto é retrocesso. É cedo para falar disso, não temos ainda uma projeção do que vai acontecer, embora o preço das commodities possa subir muito. Há essa crise no Oriente Médio, não sabemos a repercussão nos preços internacionais. Em princípio não me agrada imposto sobre exportação. Pode ter outras medidas para conter a entrada de dólar no país.

Valor: Quais os planos de sua pasta para a vinda do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao Brasil?

Pimentel: Acho que a linha com eles é de cooperação, como podemos trabalhar juntos para equilibrar a balança e fazer investimentos conjuntos. Temos essa ideia forte de o Eximbank deles trabalhar com o nosso BNDES, e com o futuro Eximbank, em projetos conjuntos.

Valor: Na África?

Pimentel: Em qualquer país, fora do Brasil e dos EUA, até na China, quem sabe. Ainda não estão definidos valores. Eles estão muito interessados nisso, deve ser assinado um acordo. E teremos cooperação na área tecnológica. Estamos tentando também fazer um acordo na área de patentes, o menos polêmico possível e o mais efetivo.

Valor: Como é o acordo?

Pimentel: Está desenhado. É o reconhecimento mútuo de uma parte do processo. Os pedidos de patente de um produto fazem os escritórios de patente investigar uma enorme quantidade de detalhes. O Inpi brasileiro e o escritório de patentes americano vão trocar informações sobre o que foi negado nos pedidos, no Brasil ou nos Estados Unidos, e um escritório poderá usar a investigação já feita pelo outro, negar automaticamente aqui o que já foi negado lá. Os EUA também farão isso. Isso elimina quase 50% da fila de patentes que existe hoje, agilizará o processo. Trabalhamos para fechar até a visita. Eles têm esse acordo com o Japão e outros países.

02/03/2011
Fonte: Valor Econômico

China - Feira do Cantão!

China - Feira do Cantão!do Comércio Exterior

Datas


Fase 1:15-19 de Abril de 2011 9:30-18:00
Fase 2:23-27 de Abril de 2011 9:30-18:00
Fase 3:1-5 de Maio de 2011 9:30-18:00

Local

Complexo da Feira de Exportação e Importação da China (No. 380, Yue Jiang Zhong Lu, bairro de Haizhu, Guangzhou, China.)

Fases e Setores da Exposição

Fase 1:

Artigos electrônicos, iluminação, veículos e peças, máquinas, metal-mecânico, materiais de construção, produtos industriais e químicos.
Seção de importação: eletrônicos e equipamentos, materiais de construção, metal - mecânico, maquinário e matéria-prima industrial.

Fase 2:

Bens de consumo, presentes e artigos de decoração.

Fase 3:

Têxteis e vestuário, sapatos , materiais de escritório, malas, artigos de lazer, medicina e produtos de saúde e alimentos.
Seção de importação: alimentos, produtos agrícolas, saúde, cosméticos, presentes e artigos da decoração.

Na sequência estarei publicando mais artigos sobre esta feira no Blog, fiquem ligados!

http://www.cantonfair.org.cn/portuguese

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

GRANDE VAREJISTA AMPLIA COMPRAS NA CHINA

Movidas por um mercado interno aquecido e por preços mais competitivos, o número de empresas brasileiras que compram produtos chineses aumentou de 16.853 em 2009 para 20.837 no ano passado.

Na faixa dos maiores importadores, que adquiriram mais de US$ 50 milhões da China, o número saltou de 41 para 72 no mesmo período.

Entre os grandes compradores de produtos chineses predominam os fabricantes de eletrodomésticos, eletrônicos e produtos de informática. Esses setores somam 40 empresas na lista dos maiores importadores de produtos "made in China".

Em 2010, porém, estrearam na lista dos maiores compradores da China dois varejistas: C&A Modas e Companhia Brasileira de Distribuição, o grupo Pão de Açúcar. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Levando em conta todos os países de origem, o Pão de Açúcar importou em 2009 um total de US$ 149,23 milhões. No ano passado, os desembarques da varejista saltaram para US$ 236,5 milhões. Desse valor, no mínimo US$ 50 milhões vieram da China. A C&A também ampliou significativamente as importações totais no Brasil, que passaram de US$ 74,91 milhões em 2009 para US$ 146,57 milhões no ano passado. Em 2010, um terço dos produtos desembarcados pela C&A no Brasil vieram da China. Procurados, o Pão de Açúcar e a C&A não se manifestaram.

Na faixa de importação de produtos com origem na China entre US$ 10 milhões e US$ 50 milhões, mantiveram-se varejistas como Walmart, Lojas Renner e Lojas Riachuelo. Apesar de terem continuado na mesma faixa de valor de importação de produtos chineses em que já estavam em 2009, Walmart e Renner galgaram posições. O Walmart era o sétimo maior importador dentro da faixa em 2009 e passou para o quinto lugar no ano passado. Já a Lojas Renner, que estava na 116ª posição dentro da faixa, subiu para a 56ª no mesmo período.

Para José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), a maior participação dos varejistas nas importações é resultado do aumento do consumo das famílias nos últimos anos, principalmente nas classes C e D, e da clara preferência do mercado doméstico pelo produto importado, especialmente o "made in China". "Provavelmente os varejistas aproveitaram a oportunidade de atender o consumo ascendente comprando a preços menores", analisa.

A oportunidade de preços melhores não foi aproveitada somente pelos grandes importadores. Na faixa de compradores de produtos chineses em valor de até US$ 1 milhão, o número de empresas aumentou de 14.992 em 2009 para 18.153 no ano passado. Trata-se de um aumento superior a 3 mil empresas. Levando em conta o volume total de empresas que desembarcaram produtos chineses, em todas as faixas de valor, houve um acréscimo de cerca de 4 mil empresas.

A elevação, lembra Castro, é considerável se for levado em conta que o total de empresas que importaram, de todas as origens, cresceu de 34.044 para 38.684 no ano passado. Um acréscimo de 4.640 empresas. "Ou seja, a tendência é a empresa entrar no comércio internacional comprando primeiramente da China", observou.

Apesar de ter se mantido no ano passado como principal fornecedor do Brasil, os Estados Unidos não conseguiram aumentar com a mesma representatividade o número de importadores brasileiros de seus produtos. Em 2009, um total de 15.492 empresas desembarcaram produtos americanos no Brasil. No ano passado, o volume aumentou para 17.040 empresas. Em 2010, os Estados Unidos foram responsáveis por 14,89% da importação total brasileira. A China ficou em segundo lugar, mas encostada nos americanos, com fatia de 14,09%. A expectativa de especialistas é que a China torne-se a principal fornecedora do Brasil neste ano.

Bruno Lavieri, analista da Tendências Consultoria, diz que a grande vantagem da China é a fabricação em larga escala, o que permite oferecer produtos com preço muito mais baixo do que o dos demais países. Isso teria dado ao país asiático mais espaço num ambiente em que naturalmente surgiram novos importadores. "Sem dúvida nenhuma o crescimento de 7,5% do mercado interno e a desvalorização do dólar em relação ao real contribuíram muito para a elevação das importações como um todo", diz Lavieri. "Além disso os países desenvolvidos continuaram com a economia patinando, o que não permitiu um aumento de preços no mercado internacional."

A maior penetração dos chineses não deve ser creditada apenas a questões conjunturais. Castro lembra que os pequenos fabricantes chineses possuem muitos incentivos para exportar e tornam-se fornecedores naturais dos pequenos importadores brasileiros, conseguindo atendê-los em volume e tipo de produto. "Para os chineses, um número maior de empresas importando da China significa maior diversificação de setores e presença mais forte no mercado brasileiro."


24/02/2011
Fonte: Valor Econômico – Marta Watanabe

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Eletrodoméstico importado deverá ter selo de qualidade

Diante da pressão da indústria para que medidas sejam tomadas para combater a forte entrada de produtos chineses no País, o governo resolveu atacar a questão pelo lado da qualidade. A partir de julho, eletrodomésticos importados só poderão ingressar no mercado nacional se tiverem um selo do Inmetro. A medida deve provocar uma redução nas importações, especialmente de produtos vindos da China.

Segundo o presidente do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), João Alziro Herz da Jornada, a exigência do selo de qualidade valerá para 90 famílias de eletrodomésticos. A medida já vinha sendo trabalhada pelos técnicos do Instituto, mas o processo acabou sendo acelerado diante dos sinais cada vez mais claros da concorrência que os produtos nacionais vêm sofrendo dos similares chineses.

Para Jornada, ao exigir o selo de qualidade dos importados o governo estará contribuindo para melhorar a competitividade do produto nacional. “Colocamos a concorrência em um patamar igualitário”, afirmou o executivo, que esteve reunido nesta quarta-feira com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel.

Levantamento feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou que 28% das empresas brasileiras competem com produtos chineses no mercado nacional. Essa exposição aumenta de acordo com o porte das empresas. Enquanto 24% das pequenas disputam mercado com os chineses, esse porcentual sobe para 41% entre as grandes.

A exigência do selo de qualidade se soma a outras ações que o governo federal vêm tomando nos últimos anos para tentar combater a competição desleal de produtos importados, principalmente da China. Atualmente, das 70 medidas de defesa comercial em vigor no País, 27 têm como foco mercadorias vindas do país asiático. Entre as 44 investigações em curso, seis envolvem os chineses, que desde 2009 assumiram o posto de maior parceiro comercial do Brasil.

Além dos eletrodomésticos, o Inmetro também está trabalhando na certificação de autopeças. Segundo Jornada, o programa deverá ser implantado a partir de março, mas os importadores terão seis meses para se adaptar às novas exigências. Na sequência, o Inmetro irá desenvolver outros programas de certificação para produtos como colchões e berços para crianças.

10/2/2011
Fonte: O Estado de Minas

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

CHINA VENDE MAIS CARO PARA O BRASIL, DIZ CONSULTOR AMERICANO

Consultor de dezenas de pequenas e médias empresas estrangeiras que se aventuram na China, o americano Paul Midler adverte: o Brasil está pagando mais pelo mesmo produto do que outros países por desconhecer como funciona a cadeia produtiva do seu principalparceiro comercial.

Segundo Midler, as empresas chinesas aceitam fabricar para companhias americanas a preços mais baixos para ter acesso a modelos de produtos que podem ser depois exportados a países de regiões periféricas, como o Brasil e países africanos. Em 2009, Midler publicou "Poorly Made in China" (Malfeito na China), um relato bastante pessimista, ainda que bem-humorado, sobre como funciona a indústria de exportação chinesa.

Para o Brasil é mais caro

Os EUA são um dos mercados mais baratos do mundo, e isso é uma grande ironia da economia global. Os cidadãos mais ricos do planeta pagam menos por seus produtos, e essa é uma das razões por que as pessoas de países mais pobres viajam para comprar.

Uma pequena garrafa de sabonete líquido que custa US$ 1 é vendida por US$ 2 e US$ 3 em outros países. Por diversos motivos, a mesma garrafa poderia ser vendida por US$ 5 no Brasil. Alguns diriam que esses preços mais altos se devem a tarifas, outros apontam corrupção.

Mas esses preços podem estar ligados a redes de abastecimento ineficientes. As fábricas chinesas estão reconhecendo a oportunidade de vender seus produtos a um preço mais alto e estão priorizando lugares como o Brasil.

Brasil repete EUA

Há algo com o comércio entre China e Brasil que se assemelha ao comércio com os EUA uns dez anos atrás.

Estamos agora vendo muito mais pequenos e médios importadores brasileiros chegando à China. Não falo do grande negócio, mas de pequenos "jogadores" que acabam de descobrir que é fácil fazer uma conexão com uma fábrica chinesa.

Sucesso chinês

Há muitas razões pelas quais estamos todos comprando produtos feitos na China.

Um motivo é que as fábricas chinesas facilitam para os compradores. Outra razão é que elas oferecem "barreiras

ixas para entrar". As fábricas chinesas dão engenharia grátis. Elas embalam. Elas dizem para os clientes: "Apenas me dê uma amostra e nós faremos".

Uma das grandes diferenças é que as quantidades mínimas para um pedido caíram tanto que se pode começar um negócio na China com apenas US$ 25 mil (R$ 42 mil). Antes, eram necessários milhões de dólares. Essa barreira menor significa mais pessoas vindo para a China.

Problema da qualidade

Ainda temos grandes escândalos de qualidade saindo da China, eu espero que isso continue ocorrendo.

A razão é que ninguém realmente quer discutir todos os problemas. Os chineses querem ignorar a situação, e a imprensa ocidental não ajuda ao escrever sobre os trens-bala e os produtos mais excepcionais em fabricação na China.

Há obviamente bons e maus produtos, mas é perturbador ver esses tipos de falha de qualidade. Há uma negligência de segurança em demasiados ângulos. E a solução política tem sido reuniões entre os principais agentes de segurança do consumidor americanos e os funcionários de segurança chineses.

Eu trabalho nessas fábricas, e a atitude com relação à qualidade não tem mudado.


09.02.2011
Fonte: Folha.com

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

IMPORTAÇÃO DE PRODUTOS CHINESES AUMENTOU 70,6%

De janeiro até o final de outubro, o Paraguai importou da China Continental 70,6% a mais que no mesmo período do ano anterior. É o que revelam dados do Banco Central do Paraguai (BCP), apontando acentuado déficit na balança entre o país vizinho e o gigante asiático.

De acordo com o jornal ABC Color, entre janeiro e outubro, o Paraguai exportou à China o equivalente a US$ 28,4 milhões, volume similar ao exportado em 2009. Na via inversa, as importações totalizaram US$ 2,5 bilhões, contra US$ 1,5 milhão nos dez primeiros meses do ano anterior.

As importações de produtos e máquinas chinesas representam 34,3% do total adquirido pelos setores público e privado paraguaios no exterior. O principal parceiro comercial do Paraguai é o Brasil, com o qual a balança de comércio exterior é igualmente deficitária.


13/12/2010
Fonte: NewsComex

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

SEM ESPAÇO EM OUTROS MERCADOS, CHINA BUSCA IMPORTADORES NO BRASIL

Para fugirem da concorrência interna e fortalecerem suas parcerias comerciais com a América Latina, chineses estão vindo ao Brasil em busca de importadores para seus produtos. O mercado procurado é específico: o interesse não é escoar sua tradicional produção de eletroeletrônicos, mas sim, oferecer artigos para decoração e uso pessoal. A escolha do país é estratégica, já que o crescimento da economia brasileira tem ganhado visibilidade no exterior.

"Os chineses escolhem o Brasil pelo potencial do mercado consumidor. O Brasil vive uma estabilidade econômica, monetária. Como esse cenário não é encontrado nos tradicionais parceiros da China, como Estados Unidos, União Europeia e Japão, devido à crise financeira, o Brasil atrai todas as atenções", disse Kevin Tang, diretor da Câmara de Comércio e Indústria Brasil China. Hoje, o Brasil aparece como o 10º parceiro comercial da China.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior mostram que no acumulado do ano, até agosto, o Brasil importou da China o total de US$ 15,48 bilhões e exportou para aquele país US$ 19,91 bilhões, considerando o mesmo período.

"A China cresce e produz cada vez mais, mas o consumo do mercado interno não tem sido suficiente. Por isso, os chineses têm vindo com mais frequência para o Brasil", disse Charlys Wang, responsável por trazer chineses a feiras brasileiras. Somente neste ano, Wang já coordenou a visita de 4.000 produtores interessados em fazer parcerias com o país. "Esse número tem crescido nos últimos meses."

A aposta dos chineses no mercado brasileiro não tem se restringido mais aos eletrônicos. O país tem sido procurado para distribuir a produção de tecidos, roupas prontas, tapetes, artigos de decoração para casa, como móveis, flores artificiais, cortinas e luminárias.

Teng Tian, gerente comercial de uma distribuidora de artigos de iluminação residencial, veio ao Brasil com sua equipe em busca de importadores para os produtos que comercializa na China.

"Já escutamos muito sobre o Brasil e quisemos conferir. Queremos saber como é o gosto, como é o pensamento do brasileiro. Já temos negócios na Europa, mas queremos expandi-lo para a América Latina", afirmou Tian, durante feira de paisagismo, jardinagem e lazer em São Paulo, que montou um pavilhão especial para cerca de 60 expositores chineses.

"Muitas empresas estão em busca de parceiros para ajudar na distribuição de seus produtos no Brasil", afirmou Tang. Para cada empresa brasileira exportadora, há oito que importam da China. Do lado chinês, a proporção é semelhante, segundo a câmara de comércio.

Desvalorização da moeda

A discussão sobre a desvalorização de moedas adotada por alguns países está ganhando espaço em economias de todo o mundo e tem sido chamada de "guerra cambial" por muitos.

Países como Estados Unidos e Brasil queixam-se de outras nações, como a China, que estariam pressionando a desvalorização da sua moeda para ter vantagens sobre suas exportações.

Na avaliação de especialistas, o governo brasileiro, a exemplo do dos Estados Unidos, deveria pressionar a China, em especial, a valorizar o iuan. Diferente da maioria dos países, cujo câmbio é flutuante, ou seja, é influenciado pelas negociações do mercado, na China a cotação da moeda é controlada.

Nesta sexta-feira (8), de acordo com agências internacionais, o presidente do banco central da China, Zhou Xiaochuan, disse que a reforma cambial do país será feita, mas de forma gradual. Ele disse ainda que a velocidade de apreciação do iuan dependerá das condições do balanço de pagamentos chinês.

13/10/2010
Fonte: G1

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

“Mundo está só com um motor, a China”

Para diretor da consultoria da “Economist”, potência asiática compensa desaceleração global, mas tem risco de bolha. “Brasil desperdiçou chance de atacar problemas estruturais”, critica consultor da britânica EIU.
Com crescimento baixo nos principais países avançados, a China se tornou o único motor importante da economia global.
Mas há riscos importantes associados a bolhas de ativos formadas em anos recentes, principalmente no mercado imobiliário chinês. Um deles é que o nível de inadimplência na China comece a subir. Isso poderia causar problemas no setor bancário, provocando uma desaceleração mais forte do que o esperado da economia chinesa e levando o mundo a reboque.
Essas são as opiniões de Leo Abruzzese, diretor de pesquisas para o hemisfério Ocidental da consultoria britânica Economist Intelligence Unit (EIU).
Em entrevista à Folha de São paulo, ele disse que o Brasil perdeu a oportunidade de fazer reformas importantes em 2010, quando a economia crescerá, segundo a EIU, pouco abaixo de 8%, e que, dificilmente, haverá vontade política para isso a partir de 2011, quando a trajetória de expansão voltará para cerca de 4.5%.
Leia os principais trechos da entrevista de Abruzzese.
Dependência da China
Os EUA terão crescimento reduzido por muitos anos, a Europa e o Japão também. Todos estão contando com a China para compensar essa fraqueza. Sem a China, é quase como ter um avião em que nenhum dos motores funcione bem. Teríamos um período sustentado de baixo crescimento global, não uma recessão, mas uma taxa de crescimento não muito acima do nível de uma recessão.
Risco de bolha
Nossa visão é que a China será capaz de promover uma desaceleração controlada.
Mas há um risco de que ao longo dos próximos três anos o nível de inadimplência comece a subir, colocando algum estresse no sistema bancário. Isso reduziria investimentos na China e a taxa de crescimento econômico.
Isso poderia colocar alguma pressão na economia chinesa. A China tem bolhas de ativos muito grandes, principalmente no setor imobiliário. Grandes bolhas de ativos são muito perigosas e é incomum que um país supere uma bolha sem algum tipo de dano para a economia.
Deficiências do Brasil
O Brasil avançou nos últimos anos, mas ainda há muitos problemas. A taxa de investimento é muito baixa. Eu ouço muitas reclamações de empresários sobre o sistema tributário e a qualidade da infraestrutura.
Algumas mudanças têm ocorrido. Mas nenhum dos empresários com quem tenho conversado aqui pensa que o país está atacando esses problemas de forma agressiva. E, com a economia crescendo a quase 8%….este era o ano quando isso deveria estar sendo feito. Quando a economia se desacelerar para 4,5% no próximo ano, a vontade política para promover reformas diminuirá.
Crise nos EUA
Nós acabamos de reduzir a projeção de crescimento nos EUA. Os dados recentemente divulgados têm sido piores do que esperávamos.
Mas isso não muda nossa visão geral. Já esperávamos que 2011 seria muito fraco à medida que os estímulos e o processo de recomposição de estoques expirassem.
“Duplo mergulho”
Não estamos esperando uma nova recessão. Em parte isso se explica porque o estímulo da política monetária nos EUA ainda é muito forte.
Além disso, os lucros das empresas têm sido fortes nos EUA por conta de cortes de gastos agressivos, demissões. Ainda que o crescimento em si não venha sendo muito forte, o investimento em equipamentos e software tem sido elevado.
Parece que as empresas estão aproveitando essa fase de baixas taxas de juros e menores custos de capital para começar a investir.

05/10/2010
Fonte: Folha de São Paulo

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

PRESSIONAR CHINA SOBRE YUAN NÃO FUNCIONARÁ, DIZ AMORIM

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, rechaçou nesta terça-feira pedidos dos Estados Unidos para um aumento na pressão internacional a favor da valorização do yuan, ao dizer que tal estratégia não funcionará.
"Acho que essa questão de pressão não funciona. Acho que essa ideia de colocar pressão sobre um país não me parece que seja o caminho para soluções", disse Amorim à Reuters após se reunir com colegas das nações do Bric (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia e China).
Amorim acrescentou que um dólar mais fraco é parte do problema e sugeriu que a coordenação política é o caminho certo para lidar com as questões cambiais.
"Nós temos uma boa coordenação com a China e temos conversado com a China. Não podemos nos esquecer de que hoje ela é o nosso principal cliente", completou.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tem acusado o país asiático de não fazer o suficiente para valorizar o yuan, dando aos manufatureiros chineses uma vantagem injusta no comércio global.
O secretário de Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, disse na semana passada que vai conclamar as forças globais para pressionar a China por reformas cambiais e comerciais na próxima reunião do G20 na Coreia do Sul, em novembro.
A China reagiu fortemente ao discurso mais duro, dizendo que a apreciação do yuan não pode resolver o deficit comercial norte-americano. O movimento ocorre antes das eleições para o Congresso dos Estados Unidos, em novembro.
O yuan subiu ante o dólar na terça-feira pelo nono dia seguido --maior série de ganhos desde julho de 2005.

23/09/2010
Folha de São Paulo

terça-feira, 21 de setembro de 2010

PIRATARIA CHING-LING

Folha de São Paulo visita reduto de fábricas clandestinas na China que exportam Havaianas e Melissas falsas para todo o mundo.
As sandálias não se deformam, não soltam tiras e não têm cheiro. Mas essas Havaianas não são as legítimas. São as da empresa chinesa Bright Coast, que mantém um site "oficial" da marca em inglês e chinês, pode produzir até 500 mil pares mensais e exporta um dos produtos-símbolo do Brasil para a África e o Oriente Médio.
"Só não conseguimos ainda reproduzir a lista lateral reta", admite o funcionário da Bright Coast, no amplo escritório da empresa em Xiamen, sul da China, ao mostrar vários modelos de Havaianas falsas.
A Bright Coast é só uma das dezenas -provavelmente centenas- de fábricas no sul da China que, nos últimos anos, diversificaram de nomes mais famosos, como Nike, e agora produzem também imitações das brasileiras Melissa, Ipanema e Mormaii, além das Havaianas.
A reportagem da Folha de São Paulo se apresentou como compradora de marcas brasileiras piratas em quatro cidades da Província de Fujian.
Encontrou uma ampla cadeia produtiva, que envolve de grandes empresas legalizadas a pequenas fábricas familiares, dezenas de milhares de funcionários e um sistema sofisticado de venda para praticamente qualquer parte do mundo. Tudo com certa conivência oficial.
Entre as brasileiras, a mais copiada são as Havaianas. Na Bright Coast, as sandálias vêm em embalagem e, numa etiqueta com holograma, se lê: "Apenas as legítimas Havaianas têm este selo de autenticidade. Não seja enganado por cópias".
O preço por unidade é de 8 yuans, o equivalente a R$ 2, incluindo a tramitação pelo porto de Guangzhou, o mais fácil para passar pirataria. O valor é um décimo do cobrado no site oficial das Havaianas verdadeiras pelo mesmo modelo.
O negócio é feito de forma aberta. No site, há uma breve explicação da história das Havaianas e até fotografias da fábrica. O dono, Liao Gui Long, controla uma firma de eventos e é o vice-presidente da associação de empresas de propaganda de Xiamen.
A Bright Coast tem rivais. Cópias mais baratas e menos sofisticadas são facilmente encontradas nas dezenas de lojas de fábrica em Jinjiang -vizinha a Xiamen. Em apenas uma hora, a reportagem encontrou cópias de Havaianas e Ipanema em seis lojas.
Em uma delas, a vendedora oferece cópia em PVC das Havaianas, no atacado, por 6 yuans (R$ 1,50). Seu mercado, diz, são as Filipinas, para onde exporta alguns milhares todos os meses. "É um país quente, e essas sandálias duram três meses." Qual é capacidade de produção mensal? "Milhões", e sorri.
* Enviado especial à Província de Fujian (China)

21/09/2010
Fonte: Folha de São Paulo

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Feriados na China

Prezados,

Segue programação dos próximos feriados na China:
22/Sep-24/Sep: Mid-Autumn Day
01/Oct-07/Oct: National Day

Fonte: CMMY